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Bike como meio de transporte

Submitted by on 08/08/2011 � 12:134 Comments
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Eu uso a bicicleta como meio de transporte e vou lhe dizer por quê.

Qual outro meio de transporte tem as vantagens da bicicleta? Além de não poluir o ar, pedalar é uma atividade saudável, auto-sustentável, de baixo custo de aquisição e manutenção.

Falo de saúde com a experiência adquirida após 31 anos de diagnóstico da Doença de Parkinson. Posso lhe afirmar sem medo de errar: não fosse a bicicleta e sua capacidade de flexibilizar minha musculatura, provavelmente eu estaria andando em um veículo de duas rodas também, só que essas duas rodas seriam paralelas – uma cadeira de rodas.

Quando fui diagnosticado, levei em consideração que aos 25 anos de idade teria ainda algumas coisas a realizar e decidi assim lutar por uma condição que me proporcionasse mais qualidade de vida. A bicicleta pulou à minha mente, oferecendo-se como o meio para atingir meus objetivos de vida saudável.

Não posso dizer que foi uma caminhada suave. Levei algum tempo para acostumar a bunda ao selim, outro tempo mais para aprender a utilizar as marchas com maior eficiência e continuo aprendendo após quase 30 anos. As subidas ainda pesam como pesariam para qualquer pessoa, mas o benefício dessa atividade está implícito em minha vida.

O mundo é sedentário e ansioso. A pressa de chegar, os engarrafamentos, o inferno que se tornaram as ruas pelo excessivo numero de veículos circulando, nos conduzem a um estado de caos mais próximo do que você possa imaginar.

Lembro-me de uma célebre frase de um amigo ciclista – “Só tem a real dimensão do tempo, aquele que vai a pé, no máximo de bicicleta, o resto é pressa”.  Pressa e ansiedade caminham juntas. É um fato conhecido que a velocidade nos tira do nosso eixo de equilíbrio. Por exemplo, seu ritmo natural é de se deslocar a 06 km/h, em ordem de marcha. O carro cria uma possibilidade de deslocar as pessoas até 30 vezes mais rápido que isso. Qual o resultado? A criação de um estado de ansiedade, que nem sempre temos consciência.

Faz alguns anos, tive meu carro roubado da frente da minha oficina. Julguei que minha vida se tornaria caótica, mas isso não aconteceu. O que aconteceu foi que a bicicleta supriu completamente a lacuna deixada pela falta do carro. E mais, passei pelo menos um ano sem usar nenhum carro, nem de carona. Após esse ano sem andar de carro, precisei de uma carona de um amigo. Embarquei no carro e confesso que a sensação da aceleração rápida de 0 a 60 km/h em pouco menos de meio minuto, trouxe uma desconfortável sensação de apreensão. Percebi nessa ocasião a ansiedade causada pela pressa.

Os norte-americanos têm um ditado que reflete o que defino como a mais pura verdade em relação ao uso da bicicleta – “no pain, no gain” – que traduzido livremente significa “sem dor, não há ganho”.

É preciso muita persistência e determinação para fazer da bicicleta o seu meio de transporte e seu esporte. Não basta apenas pedalar uma vez por semana, embora eu considere ainda melhor do que nunca pedalar.

Os recursos naturais consumidos em enormes quantidades no mundo todo diariamente, um dia irão terminar. Essa é uma verdade indiscutível. O que faremos então? Não faço idéia, mas julgo uma atitude inteligente nos prepararmos para este dia. Qual será a vantagem de colocar a tranca depois da porta arrombada?

Não sou defensor radical de uso da bicicleta, apenas faço a minha parte e vez ou outra, lanço alertas como esse que agora escrevo. As pessoas nascem investidas de livre arbítrio, o que lhes possibilita escolher que caminhos desejam tomar. Tudo é uma questão de consciência e preservação deste belo planeta azul, nossa casa.

O custo de uma boa bicicleta é muito menor do que o custo de um carro popular. É evidente que existem bicicletas de alto custo, mas não é esse o caso para o seu deslocamento diário. A partir de R$ 800,00, você certamente encontra boas opções. O importante é você encontrar um lojista disposto a ajudá-lo  com a melhor opção para você. Como definir a melhor opção? Leve em conta o tamanho do quadro, relativamente ao comprimento das suas pernas e não à sua altura total, que é um engano cometido regularmente. Considere também o tipo de utilização que a bicicleta terá para você, levando em conta o tipo de terreno que deverá percorrer mais regularmente. Não se envergonhe de usar acessórios como campainhas, que são muito úteis para alertar pedestres distraídos caminhando no que deveria ser um terreno exclusivo para bicicletas, as ciclovias. Pára-lamas também são bastante úteis em caso de chuva, e um bagageiro, ou uma pequena mochila também podem ajudar a carregar algo que eventualmente precise, além da câmara reserva e a bomba de encher pneu, afinal nunca se sabe quando um pneu pode furar

Até quando permitiremos que o poder público corte praças ao meio, amplie avenidas tirando espaço dos pedestres, para simplesmente abrir mais espaço para os veículos? Não me parece que isso solucione a questão. Temos vários problemas que tem origem na utilização indiscriminada de veículos, portanto os veículos são o problema. O que estamos fazendo é apenas aumentar o problema e não solucioná-lo.

Mas porque razão a bicicleta, apesar de todas as vantagens que oferece, não recebe a devida atenção das autoridades?

O problema é arrecadação de impostos. Nós ciclistas, não geramos arrecadação de impostos, a não ser no momento da compra da nossa bicicleta, que gera arrecadação de dois impostos, sobre circulação de mercadorias e sobre produtos industrializados, só!

Não geramos IPVA, não estamos sujeitos a recolhimento de seguro obrigatório, etc. Por isso somos marginalizados, somos considerados “pobres”. Nem ao menos temos condições para comprar um carro. Estou falando do senso comum, que é a forma de enxergar o ciclista do ponto de vista da grande massa.

O que passa na cabeça de certos motoristas, como um alcoolizado que me abalroou me derrubando na Anita Garibaldi e nem ao menos parou para saber se eu estava machucado ou não, é algo assim – “bicicleta é coisa de pobre, pobre não tem dinheiro, portanto posso fazer o que quiser que não acontece nada”. Experimente ficar na frente de um Inter-Bairros ou de um Ligeirinho para ver.

Consciência e respeito é o que precisamos plantar antes de mais nada.

Precisaremos ver o colapso total das grandes cidades, para pensar o que faremos a seguir, infelizmente!

Uma última questão: Faça uma breve reflexão a respeito de como era o mundo quando você nasceu e a seguir pense que mundo estará deixando para seus filhos e netos? Faça apenas sua parte, que é o que cada um de nós deveria fazer, conservando a natureza, porque o mundo não tem saídas de emergência.

Use sempre o capacete e pedale defensivamente!

Roberto Coelho


4 Comments »

  • Poderia dizer que assino embaixo, mas não é o suficiente. Excelente artigo do Coelho. Me orgulho de existirem pessoas como este homem, com uma postura exemplar em relação ao transporte. A ferida é mesmo a arrecadação de impostos. Estamos diante de uma monstuosa indústria (automobilística) e corro aqui o risco de cair no batido discurso tido como radical. Mesmo assim vou dizer: note os gastos das indústrias de automóveis e de bebidas alcoólicas em comerciais de TV. É só ligar a TV no sábado ou domingo de manhã e ver que os canais abertos só veiculam programas de venda de carros. Tudo é carro e bebida. Assim a iniciativa privada multinacional fica trilhardária e o gasto público com emergências e tratamento de traumas é descontado do contribuinte. É muito clara essa estupidez. Tudo isso somado ao fato de que o povo brasileiro não lê livros e tem pouco acesso à internet, pode-se imaginar um futuro bem fumacento.

  • ROberto disse:

    Olá sou visitante constante desse site que muita informação ja me trouxe, gostaria de pedir a autorização desse artigo em nosso site.

    http://www.ecna.com.br

    Grato, excelente artigo e Meus parabens Sr.Roberto Coelho

  • francisc feltes disse:

    Oi pessoal, não consigo ler os argigos, ha uma faixa vertical, a qual sobre poem os que escrito. Como faço para eliminar, já tentei mas não consegui. abs. F.Feltes

  • admin disse:

    Olá… Recebeu o email que enviamos, sugerindo acessar em outros micros / browsers?
    Abraços!

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