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Roda fixa é bom ou não?

Submitted by on 15/10/2010 � 18:193 Comments
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Perguntinha chata essa…
…mas é a primeira (que todos fazem) depois de saber que existem bicicletas de “roda-fixa”, e como todo assunto “polêmico” tem defensores e detratores.
Mas vamos deixar de lado essa coisa passional e apresentar alguns pontos interessantes para que vocês decidam por voces mesmos, ok?

Comecemos pelo vídeo aí em cima. Uma competição artística “júnior” em que as bikes usadas são de roda-fixa.

Algumas convenções para este tópico!
Marcha única: bicicletas sem cassete (rodas dentadas, de várias tamanhos, que ficam junto ao cubo traseiro) e apenas uma coroa. Só tem UMA marcha possível, portanto. E podem ser:

Roda-livre: as bikes que todos estão costumados. Quando paramos de pedalar os pedais se mantêm parados, enquanto a bike anda.

Roda-fixa: o pinhão (que traciona a roda traseira) é ligado diretamente ao cubo e gira sempre que a bicicleta está em movimento, movendo os pedais.

Itens apontados como VANTAGENS

- Uma bicicleta de marcha única geralmente custa menos, é mais leve e tem mais confiabilidade por ser mecanicamente mais simples do que uma bicicleta com múltiplas marchas. Sem descarriladores (derailleurs) e outras partes do sistema convencional de câmbio, há menos peças na bicicleta que precisam de manutenção. O aspecto da confiabilidade e baixa manutenção são bem vindos para uma bicicleta de transporte (por exemplo);

- A eficiência mecânica da transmissão de uma bicicleta de marcha única é bastante alta, de 96% a 99% caso bem alinhada e com corrente nova e bem lubrificada, variando apenas a força aplicada à transmissão (em geral, quanto maior a força, maior a eficiência mecânica). Em comparação,uma bicicleta com Câmbio descarrilador tem em média, segundo algumas fontes, eficiência mecânica de 85 a 90% ou, segundo outras fontes, de 97%a 91,5% sob as mesmas condições. Uma linha de corrente reta, a ausência do atrito inerente às polias do câmbio descarrilador traseiro, a ausência de várias rodas dentadas, de rampas e de pinos, tudo isso melhora a eficiência mecânica. Numa bicicleta sem marchas, a pedalada é mais leve e fácil do que numa bicicleta de marchas na mesma relação de transmissão e nas mesmas condições de lubrificação devido a uma quantidade menor de perdas no sistema de transmissão;

- Dado que uma única roda dentada traseira ocupa menos espaço do que as sete ou dez presentes nos típicos cassetes de múltiplas marchas, o conjunto aro-raios da roda traseira pode ser construído com bastante simetria, isto é, com pouco ou nenhum “chapéu” (também chamado “guarda-chuva” por alguns mecânicos – Nota do Editor*), o que torna a roda mais robusta;

- Muitos consideram que uma bicicleta de marcha única, ao porproporcionar uma resposta mais rápida da bicicleta à pedalada, permite uma pedalada mais orgânica e mais prazerosa. Numa bicicleta de câmbio por descarriladores (derailleurs), a resposta da bicicleta à pedalada é mais lenta devido às polias que exercem um “efeito mola” na linha dacorrente. A ausência desse “efeito mola” também contribui para fazer a transmissão de uma bicicleta de marcha única um pouco mais eficiente do que uma bicicleta que possua câmbio descarrilador;

- É possível usar protetores de corrente que isolem completamente a transmissão, como os normalmente usados em bicicletas com câmbio interno, evitando problemas com a corrente sujando ou comendo roupas;

- As bicicletas de marcha única são caracterizadas por uma aparência mais simples e limpa (visual “clean”).

- Elas levam a melhorar o método de pedalada, fazendo-a mais redonda e eficiente;

- Elas permitem fazer manobras tais como “trackstand” (ficar equilibrado na bicicleta parada por um tempo indefinido), ou manobras como andar para trás;

- Muitos alegam que é mais fácil subir ladeiras numa bicicleta de pinhão fixo porque ela permite aproveitar melhor o momento de inércia da bicicleta, já que os pedais “empurram” os pés nos pontos mortos da pedalada, levando a uma pedalada constante.

- Outros afirmam que andar numa bicicleta de pinhão fixo é uma experiência completamente diferente de andar numa der roda-livre, pois a própria bicicleta se comporta como coadjuvante na pedalada, empurrando os pés quando não se está pondo nenhuma força nos pedais ou ajudando a manter uma velocidade constante através dos pontos mortos da pedalada. Alguns chegam mesmo a dizer que é uma experiência quase transcendental.

- Exageros à parte, um ponto que EU ACHO favorável é que não é mais preciso ficar atento as mudanças de marcha e à correspondente adequação da pedalada para não “ferir” os mecanismos durante a mudança. Toda a atenção do ciclista está unicamente no pedalar e no entorno.

Itens apontados como DESVANTAGENS

-Uma faixa menor de velocidades em que a bicicleta pode ser pedalada de modo eficiente; a cadência da pedalada diminui ou aumenta em proporção direta com a velocidade de deslocamento. A musculatura humana trabalha eficientemente numa faixa relativamente estreita, que em geral está em algum ponto entre 60 a 120 rpm, variando de pessoa para pessoa. Fora dessa faixa, se consome mais energia para se deslocar menos. Conseqüentemente têm, tipicamente, uma velocidade máxima menor, principalmente em declives, enquanto velocidades mínimas maiores, quando em aclives;

- Dependendo da relação de transmissão utilizada, subir aclives exige MUITO esforço. Em bicicletas para transporte de marcha única, que são feitas de modo a atingir velocidades razoáveis em terreno plano, para subir aclives leves já é necessário mais força na pedalada, enquanto que morros mais inclinados exigem ficar em pé na bicicleta, ou mesmo desmontar e empurrá-la. Ficar em pé na bicicleta trás diversas desvantagens, tais como: provoca maior estresse sobre outras partes da bicicleta, como o guidon, pedais, pedivela e corrente, levando a um desgaste prematuro. Com isso, se alguma parteda bicicleta quebrar (corrente, guidom, quadro, etc), é maior a chance de umaqueda potencialmente grave. Por essa razão, só é recomendado pedalar de pé em bicicletas nas quais você confia no estado mecânico. E é claro, pedalar em pá aumenta a resistência do ar (experimente pedalar em pé contra o vento e depois me conte como foi!);

- Pedalar com marcha excessivamente baixa (altas cadências) ou excessivamente alta (baixas cadências e muita força) pode ser prejudicial a saúde e ocasionar dores, câimbras e até mesmo lesões no tornozelo, coxa, joelhos ou coluna. Não queira dar uma de “super” e esteja atento aos sinais que seu corpo emite.

- Como é necessário maior esforço (em média) caso não se esteja pedalando em terreno plano, no final da viagem a pessoa fica mais suada e esgotada. Isso não é lá muito desejável para quem usa a bicicleta para transporte e não pode tomar um banho e trocar de roupa ao chegar no trabalho ou escola.

- A principal desvantagem das bicicletas de roda-fixa em relação às bicicletas de roda-livre aparece ao descer ladeiras, pois é preciso controlar a velocidade para que os pedais não girem demasiado a ponto de o ciclista perder o controle da bicicleta (perder os pedais, deixando-os escaparem dos pés). Outra desvantagem é a impossibilidade de fazer curvas muito fechadas, devido ao perigo dos pedais baterem no chão, já que eles não podem ser parados numa posição única como é feito numa bicicleta de roda-livre.

Itens apontados como benefícios para o condicionamento físico

Como as bicicletas de marcha única só possuem uma única relação de transmissão, elas permitem um desenvolvimento do condicionamento físico mais amplo do que uma bicicleta de múltiplas marchas, já que é preciso pedalar cadências e forças diferentes conforme as velocidades que os terrenos permitem. Altas cadências no plano e em descidas levam a desenvolver o sistema cardio-vascular, enquanto que baixas cadências em subidas levam a desenvolver a força muscular. Em comparação, uma bicicleta de múltiplas marchas leva o ciclista a sempre procurar usar as relações de transmissão mais cômodas, tendendo a usar sempre as cadências mais fáceis, naturalmente tornando seu condicionamento físico mais limitado e menos flexível.

Aspectos sócio-culturais

No Brasil, as bicicletas de marcha única (de maneira geral) ainda são majoritariamente estigmatizadas como algo ineficientes, desconfortáveis e mais que tudo características de pessoas que não têm opção de comprar outra bicicleta (leia-se “não tem $$$”). No entanto, há os que consideram que conduzir uma bicicleta de marcha única proporciona uma experiência diferente de pedalada… Na Europa e na América do Norte, há vários grupos de pessoas que utilizam bicicletas de marcha única por estemotivo entre outros, organizando inclusive eventos e encontros (no Brasil também há). Existem também movimentos contestatórios que optam pela simplicidade dessa bicicleta como forma de repúdio à indústria do consumo, e os que vêem o estigma relacionado a elas apenas como resultado da publicidade dos fabricantes de bicicleta.

Fontes
http://www.fixedgeargallery.com
http://www.rodafixa.com
http://en.wikipedia.org
http://fixedgearrepublic.com

DO EDITOR: conta a lenda que as bikes de roda fixa ganharam as ruas por “acaso”. Originalmente, esse tipo de equipamento (a roda-fixa) era exclusivamente de uso de profissionais de ciclismo (competidores) e seu uso era apenas interno, para treinos. Até que alguém resolveu testar o brinquedo nas ruas e a brincadeira acabou ganhando simpatizantes.


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